No limiar da Criação

"No limiar da Criação" Goulart 2017
“No limiar da Criação” Goulart 2017

Goulart 2017
oil on canvas – 60x60cm
Série Sacratu

Três dimensões. A superior é a celestial. Oficina de Deus e os esquissos da Criação com a geometria sagrada. Planos e ideias cosmológicas. O Absoluto.

A segunda dimensão é a matéria inerte que se revela componente da vida. Potência e acto.

A terceira é a dimensão terrena onde o Homem se revela na busca do Cosmos e de Deus.

A árvore da vida ou do conhecimento em busca da dimensão celestial ou em analogia a escada de Jacob. O espanto filosófico e teológico do Homem em procura do Significado.
As 3 dimensões são separadas de forma rectilínea, dissociando inequivocamente as 3 dimensões porque a passagem não é contínua , mas sim de fracturas epistemológicas.

O Homem Universal e a Esfera Armilar

"O Homem Universal e a Esfera Armilar"
“O Homem Universal e a Esfera Armilar”

Goulart 2017

80x60cm óleo sobre tela.

Homenagem a Teixeira de Pascoaes (1877-1952). Um dos maiores vultos da literatura, do pensamento português, do V Império, fundador do movimento renascentista, do saudosismo (teoria da saudade) e da revista Águia.
Pascoaes com a obra “Homem Universal” reflecte sobre a ciência, lógica, ética e estética para construir o homem. O Homem Universal é o homem português dos Descobrimentos. A imagem simbólica da esfera armilar representa a ciência na descoberta dos mundos. No entanto ainda “falta cumprir-se Portugal” como escreve Pessoa. Temos a esfera armilar na sua plenitude mas falta conhecer a totalidade do Homem Universal (apenas metade da face de Pascoaes).

Santo Agostinho e a Cidade de Deus

Santo Agostinho e a Cidade de Deus
Santo Agostinho e a Cidade de Deus

Santo Agostinho e a Cidade de Deus

Série Sacratu // Acrílico e Óleo sobre tela 80x60cm

Goulart – 2016

O mundo não foi feito no tempo, mas sim com o tempo.

Santo Agostinho (354-430)

Depois da primeira fase o quadro foi concluido introduzindo no topo a palavra Deus em hebraico (Yahvéh = Jeová). Na torre inscrevi, como luzes, os 4 primeiros números primos como símbolos da matéria para a construção de qualquer entidade (qualquer número pode ser decomposto no produto de números primos – factorização). A simbologia da construção dos números (mundo das ideias) e as luzes são uma homenagem a Platão. Deus, para Platão é o Bem e a Acção: o artíficie do Mundo.

A zona esquerda do quadro, com tons mais quentes sugere a ascenção e o Bem. À direita a queda e o Mal, com cores mais frias. As quentes são em maior área de acordo com a ideia de Santo Agostinho que o Mal é sempre ausência do Bem como tal não pode ter valor igual ou superior ao Bem.

A primeira fase do quadro foi iniciada a partir de uma mancha efectuada por Avelina Moniz, coloquei três torres para simbolizar as as 3 partes do Livro da Parte II da “Cidade de Deus” (De Civitate Dei ): as origens da cidade espiritual e a terrena; a história e a evolição das duas cidades e os destinos das duas cidades. No entanto, o resultado não foi satisfatório. Na impossibilidade de criação de nova mancha, as manchas de óleo foram criadas e acrescentadas na metade inferior da tela deixando visível o topo superior  de uma das torres e a mancha original e o respectivo ponto central de luz.